Marcelo Tingui: memória, território e imagem como caminhos de luta
Marcelo Tingui é indígena do povo Tingui-Botó e atua há mais de uma década na construção de caminhos que articulam memória, território, ciência e imagem como formas de resistência e afirmação indígena.
Desde 2014, desenvolve um trabalho contínuo no território Tingui-Botó, atuando diretamente junto ao Coletivo Audiovisual Tingui Filmes, do qual é fundador. Ao longo desses anos, tem contribuído para a consolidação de uma produção audiovisual indígena comprometida com o registro da memória biocultural, a valorização das narrativas próprias e o fortalecimento das lutas territoriais.
Sua trajetória é marcada pela articulação entre ciências tradicionais e conhecimento acadêmico. É graduado em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal de Alagoas (IFAL) e, atualmente, é graduando em Psicologia pelo Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU) e mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde desenvolve pesquisas voltadas aos impactos socioambientais, práticas tradicionais de cuidado e promoção emancipatória da saúde nos povos indígenas do Semiárido brasileiro.
Como pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), integra o Núcleo Ecologias e Encontros de Saberes para a Promoção Emancipatória da Saúde (NEEPS), atuando em projetos de pesquisa, formação e extensão que conectam ciência e ancestralidade. Nesse campo, também exerce atividade docente em nível de pós-graduação, com foco em epistemologias indígenas e metodologias sensíveis.
Marcelo também integra o Grupo de Pesquisa em História Indígena de Alagoas (GPHIAL), desenvolvendo investigações sobre identidade, práticas de cura, educação ambiental e produções iconográficas indígenas.
No campo político e institucional, atuou como Coordenador de Assuntos Territoriais da Política Indígena no Ministério dos Povos Indígenas, contribuindo para o fortalecimento de pautas relacionadas à defesa dos territórios e aos direitos dos povos originários.
Ao longo de sua trajetória, o audiovisual tem sido uma de suas principais ferramentas de atuação. Por meio da Tingui Filmes, tem realizado documentários, registros e processos formativos que não apenas documentam a realidade indígena, mas também produzem conhecimento, fortalecem a autonomia comunitária e ampliam a visibilidade das lutas indígenas.
Seu trabalho é guiado por um princípio fundamental: a defesa da vida, da terra e da memória como dimensões inseparáveis.
Mais do que registrar histórias, Marcelo Tingui constrói caminhos onde imagem, ciência e ancestralidade caminham juntas, fortalecendo o presente e projetando futuros possíveis para os povos indígenas.